domingo, 4 de maio de 2014

Feliz Dia da Mãe

A Minha Mãe



Os olhos da minha mãe
Brilham como estrelas.
O cabelo cheira a gelado de baunilha.
A pele é macia como veludo.
Quando for grande quero ser como a minha mãe.
De vez em quando,
a minha mãe leva-me a lanchar
a pastelarias da Baixa.
Bebemos chá,
comemos torradas e bolos.
conversamos sobre muitas coisas
e olhamos as pessoas
que passam na rua.
Depois entramos em lojas variadas.
Peço sempre para ir a retrosarias.
onde se vendem botões,
fitas, laços, rendas.
No cinema a minha mãe explica-me baixinho
ao ouvido algumas cenas do filme.
Bem me queria parecer
que o pobre coelho de olhos rosados
está quase a ser enganado
pelos maldosos senhores bules.
Quando a minha mãe canta
até as paredes ouvem,
elas que têm ouvidos,
«O meu amor é pequenino
Como um grão de arroz»…
Sabe cantigas muito engraçadas
e outras tão bonitas
que fazem chorar,
Peço à minha mãe que cante
Muitas vezes
as minhas preferidas.
Também eu canto
No coro da escola.
A minha mãe vai
Assistir ás audições.
Do palco vejo-a
a olhar para mim.
A minha mãe mostra-me
álbuns com fotografias
da família: os meus pais
quando eram pequenos,
os primos, os tios.
Até há retratos
Dos bisavós e trisavós,
Fico a saber muitas histórias
que com eles se passaram.
A minha mãe leva-me a museus
e galerias de arte.
Conta-me quem pintou aqueles quadros,
quando foi
e muitas vezes como aconteceu.
Interesso-me cada vez mais
Pelas formas e as cores.
«Estas podíamos ser nós»,
Digo eu ao ver
uma mãe e uma filha
com grandes
chapéus floridos.
Quando os meus amigos vêm brincar cá em casa,
a minha mãe prepara lanches,
enfeita a sala com luzes coloridas,
ajeita os móveis para facilitar
as nossas brincadeiras mais mexidas.
Os meus amigos acham
que a minha mãe é bonita e simpática
e eu fico um pouco vaidosa.
A minha mãe ensina-me a fazer fantoches
com pasta de papel, tintas
e tecidos variados.
Depois brincamos aos teatros,
«Senhoras e senhores, meninas e meninos,
O espectáculo vai começar!»
Vou muitas vezes passear com a minha mãe,
Que me ensina a descobrir
A beleza dos prédios rosados
com flores à janela e estendais coloridos,
as histórias azuis dos painéis de azulejos,
a fantasia a preto e branco das calçadas,
Quando me vou deitar, a minha mãe
Lê-me contos, ensina-me adivinhas,
provérbios, lengalengas,
Inventa histórias fantásticas
que mais ninguém conhece:
são só para mim.
Quando por alguma razão estou triste,
a minha mãe é quem melhor me consola.
Abraça-me e diz-me as palavras
que eu preciso de ouvir.


 (A minha mãe; Ana Faria)